sábado, 26 de fevereiro de 2011

Manutenção do adolescente no ensino médio é desafio mundial, aponta relatório da Unicef

Fazer com que os adolescentes entrem no ensino médio e o terminem é um desafio mundial, sobretudo nos países em desenvolvimento e nos menos desenvolvidos. A informação foi apontada no relatório "Situação mundial da infância 2011 - Adolescência: uma fase de oportunidades", feito pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).
De acordo com o estudo, no mundo, um em cada cinco adolescentes está fora da escola. No Brasil, a proporção é de um para sete. O custo da educação secundária - maior que o da educação primária - contribui para a evasão. A não-obrigatoriedade desse nível de estudo em muitos países e a dificuldade para obter uma vaga também são dificultadores ao acesso ao médio.

O ensino secundário, diz o Unicef, melhora as possibilidades de rendimento dos indivíduos e impulsiona o crescimento econômico na sociedade, além de causar forte impacto na promoção da igualdade de gênero e em melhores condições de saúde materna, rompendo o ciclo intergeracional da pobreza.

Segundo o relatório, entre as meninas adolescentes que frequentam essa etapa, a probabilidade de estar casadas é seis vezes menor do que entre as que não frequentam esse nível educacional e a probabilidade de engravidar é três vezes menor.

Brasil

Um dos principais problemas da adolescência no país é a grande distorção entre a idade e a série em que o estudante deveria estar: dentre os jovens de 14 a 17 anos que estão na escola, mais da metade está fora do ensino médio - etapa que deveriam estar cursando. Além disso, esse grupo tem média de anos de estudos de 7,4, enquanto o ideal seria de 12 anos. Ou seja, o adolescente que deveria estar concluindo o médio sequer chegou a terminar o ensino fundamental.

O relatório aponta o Brasil como um dos países que adotaram medidas para ampliar o acesso à educação, com a emenda constitucional nº 59, que ampliou os recursos orçamentários para a educação, e a instituição da obrigatoriedade do ensino público gratuito dos 4 aos 17 anos.

Diferente do cenário mundial, a maior dificuldade em cursar essa etapa está entre os meninos. Na educação secundária, o número de meninas matriculadas é de 85 em cada 100 e a taxa de frequência líquida é de 80%. Nos meninos, os número caem para 78% e 74%, respectivamente.

Trabalho e gravidez estão entre os principais motivos do abandono escolar. Em 2009, 14,2% dos adolescentes entre 12 e 17 anos estudavam e trabalhavam, e a maioria deles era do sexo masculino. Das meninas que abandonaram a escola, 28% saíram da escola devido à gravidez.

Segundo o relatório, outro direito violado em educação é o direito ao esporte: dados do Pense (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense 2009) revelam que, de mais de 600 mil estudantes do 9º ano do ensino fundamental consultados (com idades entre 13 e 15 anos), 43,1% dos entrevistados não realizava o tempo de atividade física semanal recomendado, que é de 300 minutos ou mais.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Alunos da 7ª série da Escola "Julio Mesquita" - 2011








Teoria é a plataforma básica para os estudos biológicos

Por Ayrton Marcondes*

Universidade de Bonn
Fóssil de Archeopterix, exposto na Universidade de Bonn (Alemanha)

Tema sujeito a grandes controvérsias, a evolução biológica desafia até mesmo crenças que com ela não se alinham, do que resultam calorosas discussões. Apesar disso, a evolução constitui-se em plataforma básica para biólogos e estudantes de biologia voltados à compreensão da vida e da variedade de seres vivos tal como os conhecemos.

A maneira mais simples de definir evolução é a que se refere a modificações que os seres vivos experimentaram - e ainda experimentam - ao longo do tempo. Decorre desta afirmação a idéia de que as espécies que hoje existem na Terra não são as que sempre existiram. Mais ainda: as espécies atualmente existentes resultaram de um longo processo de mudanças ocorridas em seus ancestrais, mudanças estas que alteraram os seus organismos, permitindo-lhes não só adaptar-se aos ambientes em que viveram como sobreviver e dar origem a novas gerações.
Embora correta, a simples ligação da evolução à noção de modificação das espécies não é de todo precisa. Importa ressaltar que não existe evolução de um só indivíduo. Modificações que ocorram em um organismo só serão úteis ao processo evolutivo se puderem ser transmitidas hereditariamente, passando de uma geração a outra e, portanto, se envolverem vários indivíduos de uma mesma espécie. Lembrando-nos que indivíduos de uma mesma espécie constituem uma população veremos que o conceito de evolução biológica se aplica, unicamente, a populações:

A evolução biológica refere-se a populações e a mudanças hereditárias que possam ser transmitidas às próximas gerações. A evolução biológica permite a formação de raças e novas espécies e explica a origem de todas as espécies vivas e extintas.

O fixismo

Chama-se fixismo à idéia de que os seres vivos são fixos e imutáveis. Para o fixismo a evolução biológica jamais se verificou: os seres vivos que atualmente conhecidos são os que sempre existiram na Terra desde os seus primórdios.
Proposto pelo naturalista francês Georges Cuvier (1769-1832) o fixismo foi aceito sem contestação até o século 18 fundamentando-se na idéia da criação de todos os seres vivos a partir de um poder divino. A partir da segunda metade do século 18 surgiram as teorias evolucionistas, também chamadas transformistas, que se opuseram ao fixismo.

Várias hipóteses foram utilizadas para explicar o fixismo, entre elas destacando-se a de geração espontânea e a do criacionismo. A hipótese de geração espontânea foi proposta pelo filósofo grego Aristóteles sob influência de Platão. Para Aristóteles os seres vivos seriam formados, constantemente, a partir de matéria não viva como o pó. Uma vez formados, estes seres permaneceriam imutáveis originando descendentes semelhantes em todas as gerações.

O criacionismo baseia-se principalmente em escritos bíblicos interpretados segundo a ótica de que Deus criou todas as espécies através de um único ato, descartando-se, assim, a possibilidade de modificações evolutivas. Nos últimos anos, o criacionismo tem ressurgido. Movimentos religiosos e críticas ao evolucionismo têm empolgado a opinião pública, despertando não só em discussões como estímulos para que o criacionismo seja ensinado nas escolas de alguns países. A posição da Igreja Católica em relação ao evolucionismo foi consolidada em 1996 pelo papa João Paulo II que proclamou a compatibilidade entre a evolução e a fé cristã.
Bases do evolucionismo
A credibilidade do evolucionismo fundamenta-se em evidências que demonstram modificações das espécies. Tais evidências ou testemunhos originam-se de várias ciências e somam-se para confirmar o evolucionismo. Entre elas destacam-se:


  • A existência de fósseis
    Chamam-se fósseis a vestígios ou restos petrificados ou endurecidos de seres vivos que habitaram a Terra e que se conservaram naturalmente sem perder suas características essenciais. À ciência que estuda os fósseis dá-se o nome de paleontologia. Associada à geologia histórica, a paleontologia permite o estudo comparativo de fósseis encontrados em camadas geológicas diferentes.




  • Através desse processo os paleontólogos têm a oportunidade de observar modificações contínuas sofridas pelos organismos vivos com o passar do tempo. É o caso de fósseis que apresentam, ao mesmo tempo, características comuns a espécies atualmente existentes. O fóssil do Archeopterix, considerada a primeira ave existente, apresenta características comuns a répteis e aves atuais: de répteis, escamas na cabeça, dentes, garras e cauda com ossos; de aves, asas e penas.





  • Evidências embriológicas
    Comparações realizadas demonstram que embriões de animais diferentes podem apresentar grandes semelhanças nas primeiras fases de seu desenvolvimento. Em embriões de vertebrados tais semelhanças chegam a ser espantosas fato que levou, no século 19, o biólogo alemão Ernest Haekel a estabelecer uma Lei biogenética fundamental.
    Esta lei atualmente reformulada, garante que o embrião de uma classe superior passa, na totalidade ou em parte, por estados que reproduzem fases embrionárias dos animais de classes sistematicamente inferiores.
    A lei proposta por Haekel é unilateral: embora no desenvolvimento embrionário dos animais apareçam formas que lembram seus ancestrais adultos também se verifica o surgimento de estruturas que não existiram em nenhum deles.




  • Órgãos homólogos
    Chama-se homologia à existência de órgãos que embora possuam a mesma origem embrionária desempenham funções diferentes. Sua existência é explicada por divergência: estruturas originalmente semelhantes diferenciam-se para realizar funções diferentes. Os membros superiores de vertebrados são um bom exemplo de homologia dado que, apesar de sua mesma origem, desempenham funções diferentes e compatíveis com as necessidades dos seres em que se apresentam.




  • Órgãos análogos
    Chama-se analogia à existência de órgãos cujas origens embrionárias são diferentes mas que desempenham a mesma função. Suas estruturas anatômicas são diferentes e não existe relação de proximidade ou parentesco entre seus ancestrais. Asas de aves e asas de insetos são exemplos de analogia entre órgãos.




  • Órgãos vestigiais
    Órgãos vestigiais são estruturas rudimentares que não desempenham função no organismo em que se encontram, mas são importantes em outros seres. Sua mesma origem - homologia - pode revelar parentesco entre seres diferentes e sugerir a existência de um ancestral comum. O apêndice vermiforme é órgão vestigial no homem em que não tem função. Entretanto, nos animais herbívoros, o apêndice é bastante desenvolvido nele vivendo microrganismos responsáveis pela digestão da celulose, principal fonte de energia de sua dieta.




  • Comparações entre proteínas
    Proteínas são macromoléculas compostas por longas cadeias de aminoácidos. Embora existam na natureza apenas vinte aminoácidos diferentes é fabulosa a variedade de proteínas encontrada nos seres vivos. Tal fato explica-se: a produção de proteínas em cada organismo é coordenada pelo material genético (DNA) que ordena os aminoácidos formando as grandes moléculas protéicas.
    Face às informações apresentadas torna-se lógico esperar que quanto maior a proximidade evolutiva entre dois seres maior seja a semelhança entre suas proteínas. Assim é que a molécula de hemoglobina (pigmento sanguíneo) é formada pelos mesmos aminoácidos no homem e no chimpanzé; já a do gorila tem um aminoácido diferente do homem e a do cão tem 15.




  • O conceito de adaptação
    A distribuição dos seres vivos nas várias regiões da Terra não é aleatória ou ocasional. Por detrás da aparente naturalidade de suas existências destacam-se não só complexas relações entre seres como adaptações ao ambiente onde vivem. Em outras palavras: nenhum ser habita um certo lugar por acaso. Para sobreviver este ser deve possuir características que permitam a sua adaptação ao meio em que vive, características essas herdadas de seus ancestrais e que serão por ele transmitidas aos seus descendentes.




  • Desse modo indivíduos de uma determinada população herdam características que lhes são vantajosas em termos de sobrevivência. Indivíduos portadores de características vantajosas deixam, em média, mais descendentes que outros e suas populações tendem a ser majoritárias com o passar das gerações. Podemos, então, definir adaptação:
    A adaptação consiste na aquisição de características que tornam um indivíduo ou um grupo mais equipado para sobreviver e reproduzir-se num determinado ambiente.

    São incontáveis os exemplos de adaptações e o estudante poderá identificar alguns deles através de simples observação. Como exemplos temos adaptações para a caça verificadas em animais carnívoros tais como o tipo de presas e a velocidade; plumagem ou pelagem de animais como adaptações para aproximar-se de presas, fugir de predadores ou, ainda, atrair parceiros sexuais; patas eficazes para a fuga em alguns animais, etc.
  • quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

    Minerais, vitaminas e água

    Por Maria Sílvia Abrão*

    Divulgação

    Uma alimentação variada é fundamental

    Para crescer e manter o corpo sadio, é necessário incluir minerais em nossa alimentação. Vamos considerar, por exemplo, um copo de leite. O leite nos oferece açúcar (lactose), proteína, cálcio e fósforo. Cálcio e fósforo são minerais que fazem parte da composição dos nossos dentes e ossos. Outros alimentos também são fonte, em menores proporções, de cálcio e de fósforo - batata doce, alface, laranja e todos os derivados de leite (queijo, manteiga, iogurte).

    Há mais doze minerais que também são necessários para garantir o bom funcionamento de nossos corpos e conseguimos obtê-los pela alimentação sem nos preocuparmos com isso. Cloro, sódio e potássio são necessários para realização de muitos processos em nossos corpos, como a transmissão de impulsos nervosos. São encontrados no sal de cozinha, nas bananas e nas frutas cítricas.

    O ferro, que é indispensável para a formação dos glóbulos vermelhos do sangue, é encontrado nas carnes vermelhas (especialmente em cortes de fígado dos animais), no feijão e no espinafre. O iodo pode ser encontrado em peixes e nos frutos do mar. Esse mineral é importante para a tireóide ter um bom funcionamento. Para prevenir doenças causadas pela falta de iodo, o sal de cozinha que compramos nos mercados vem acrescido desse mineral.

    E as vitaminas?

    As vitaminas não tomam parte na composição dos tecidos de nossos corpos e também não produzem energia. Apesar de não possuírem valor nutritivo, porém, são indispensáveis aos nossos corpos, pois auxiliam no crescimento, atuam na fortificação dos ossos, na coagulação do sangue e nos protegem contra doenças. As vitaminas de que necessitamos perfazem um total de treze tipos, e, na sua grande maioria, são obtidas apenas pela alimentação.
    • Vitamina A: evita o ressecamento de alguns tecidos. É encontrada em alimentos como cenoura, espinafre, mamão.
    • Complexo B (B1, B2, B6, B12 etc.): importante para o bom funcionamento do sistema nervoso, da digestão, proteção da pele, produção dos glóbulos vermelhos, respiração celular e regulagem do apetite. Encontrado na película que envolve os cereais como germe do trigo, soja, centeio, levedos, em miúdos como fígado, rim, coração, na gema dos ovos, no leite e nos peixes. Está presente também na maçã.
    • Vitamina C: garante o bom funcionamento das células e a cicatrização dos tecidos, prevenindo infecções. Encontrada em frutas (principalmente as cítricas) e verduras frescas.
    • Vitamina D: é indispensável para a fixação do cálcio nos ossos e nos dentes, sendo fundamental para que se tornem fortes e resistentes. Nossa pele é capaz de fabricá-la, sob a ação dos raios solares. É encontrada na gema do ovo, no óleo de fígado de bacalhau, no leite e na manteiga.
    • Vitamina E: impede a oxidação de substâncias importantes para as células e protege as membranas celulares. Encontrada em óleos vegetais (como de sementes de cereais e leguminosas), manteiga, queijo, gema do ovo, brócolis, couve espinafre e outros.
    • Vitamina K: importante na produção de sustâncias que tomam parte da coagulação do sangue, evitando hemorragias. É produzida por bactérias que vivem em nossos intestinos. É encontrada em vegetais de folhas verdes e no fígado.

    A água é fundamental

    A água constitui aproximadamente 75% dos corpos dos seres vivos. Sendo assim é indispensável à vida. A água é um excelente solvente, ajuda a dissolver os alimentos, capta substâncias que tomam parte nas reações químicas que ocorrem em nossos corpos, carrega as substâncias pelo seu corpo e toma parte no controle da temperatura.

    É necessário ingerir pelo menos quatro copos de água (1 litro) por dia, pois perdemos aproximadamente 2,5 litros da água na urina, fezes e suor. Podemos obter água quando tomamos leite, sucos e pelo consumo de frutas, vegetais e carnes.

    A conclusão a que se chega quando pensamos em tudo isso é bem simples: uma boa alimentação, farta, variada, constituída principalmente por alimentos naturais, é essencial para a manutenção da saúde e da vida.

    quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

    Entrega dos TCCs de Técnicas Podológicas e Legislação Sanitária


    Hoje é a data final de entrega dos TCC (Trabalho de Conclusão de Curso).

    O que é isso minha, gente?

    Pessoalmente, não é a coisa mais  legal pra se fazer mas quem aprende bem tira de letra!!

    Mas, pra quem não sabe fazer e não busca o conhecimento vai achar a coisa mais infame que inventaram. É pra fazer o cristão perder a fé na humanidade, rsrsrsrs...

    Mas enfim, como sem TCC não tem diploma, publico um pequeno incentivo, com votos de que a minha Turma de Técnicas Podólogicas seja muito feliz, e quando pegar o diploma, lembre-se que somos capazes de vencer as batalhas da VIDA.

    NUNCA DEVEMOS DESISTIR DE SONHAR
    E PERSISTIR E LUTAR POR NOSSOS IDEIAIS.

    PROFESSOR E PODÓLOGO
    MARCOS ALEXANDRE

    Revista científica escolhe melhores imagens do ano de 2010

    A fotografia de duas moléculas de água em uma superfície de ouro e a ilustração 3D do HIV foram as vencedoras

    O concurso International Science and Engineering Visualization Challenge, promovido pelo periódico científico Science e a National Science Foundation (NSF), premiou os vencedores nas categorias fotografias, infográficos, ilustrações, vídeo sobre Ciência.
    Os jurados escolheram aqueles que conseguiram transmitir a complexidade da ciência a partir de diferentes formas de arte.
    Entre os vencedores deste ano estão a fotografia de duas moléculas de água em uma superfície de ouro, uma ilustração 3D do vírus da imunodeficiência humana (HIV), e um infográfico com os conceitos básicos de fungos.

    Veja as algumas das imagens vencedoras
     
    O mais detalhado modelo em 3D do vírus HIV ficou em primeiro lugar. Ele resume em uma cópia fiel os resultados de publicações científicas
    Foto: Visual Science Company
    O mais detalhado modelo em 3D do vírus HIV ficou em primeiro lugar. Ele resume em uma cópia fiel os resultados de publicações científicas
    Uma parcela de AraNet, a rede de associação do gene da planta Arabidopsis. Cada linha representa a ligação entre dois genes.
    Foto: Carnegie Institution for Science
    Uma parcela de AraNet, a rede de associação do gene da planta Arabidopsis. Cada linha representa a ligação entre dois genes.
    A ilustração em 3D do vírus bacteriófago T4 atacando uma bactéria. Bacteriófago são vírus que infectam bactérias como, por exemplo, a E. coli
    A ilustração em 3D do vírus bacteriófago T4 atacando uma bactéria. Bacteriófago são vírus que infectam bactérias como, por exemplo, a E. coli

    Temperatura do corpo, gorduras, carboidratos e proteínas

    Por Maria Sílvia Abrão
    Divulgação/Universidade de Oregon
    Pirâmide alimentar

    Você já percebeu que a temperatura do seu corpo permanece quase sempre a mesma, com pequenas variações? Normalmente a temperatura de nossos corpos fica em torno de 37o C, seja em locais frios ou quentes. Na realidade nosso organismo produz energia térmica que nos mantém aquecidos. Mas você pode se perguntar: como produzimos essa energia?

    E a resposta é simples: por meio da alimentação. Essa energia, utilizada para aquecer os corpos, andar, correr, pular e fazermos tudo o que quiser é obtida por um processo conhecido como respiração celular. Trata-se de uma reação química, um tipo de combustão, que ocorre no interior de cada uma das nossas células. A glicose, obtida pela alimentação, reage com o oxigênio, obtido pela respiração, liberando energia e produzindo água e gás carbônico.

    Os cientistas sabem que quantidade de calor é produzida por uma certa quantidade de alimento. Veja: uma das formas de medir calor que conhecemos é a caloria. Uma caloria é a quantidade de energia térmica necessária para elevar em um grau a temperatura de um grama de água. Uma barrinha de cereal não está "quente", mas tem 80 calorias. O que é então a caloria dos alimentos?

    Energia química e energia térmica

    As ligações químicas existentes entre os átomos dos compostos que formam os alimentos "guardam" energia química, que pode vir a ser transformada em energia térmica. Se aquela barrinha de cereal for toda convertida em energia térmica, ela irá elevar em oitenta graus a temperatura de um grama de água, ou elevar a temperatura de 80 gramas de água em um grau.

    Entretanto, muitas vezes comemos e armazenamos alimentos na forma de gordura, pois não estamos precisando de energia naquele momento e fazemos uma "poupança para o futuro".

    Calor é energia térmica em trânsito entre dois corpos. Podemos dizer, genericamente, que o calor é uma forma de energia. Nossos músculos também precisam de energia para realizar seus movimentos e com isso ficamos aquecidos. Gastamos energia quando corremos, pulamos, nadamos, pedalamos. Então, fazer exercícios "queima calorias", gasta energia armazenada. Contudo, mesmo quando estamos descansando gastamos energia para manter nosso coração batendo, os rins funcionando, nosso cérebro pensando ou sonhando e nossos pulmões bombeando gases. Até mesmo quando estão parados, nossos músculos necessitam de energia.

    Gorduras e carboidratos

    Experimentalmente, os cientistas provaram que alguns tipos de alimentos fornecem mais energia que outros, como é o caso das gorduras e carboidratos. Os açúcares e o amido são conhecidos como carboidratos. Não é difícil saber quando estamos nos alimentando de alimentos ricos açúcar: tudo o que é doce ou adocicado contém açúcar - mel, doces, laranja, banana, maçã, uvas, líquidos adoçados, etc.

    Já os alimentos farináceos são aqueles ricos em amido: macarrão, bolo, pão, batatas, arroz, os diferentes cereais. Como a respiração celular é uma combustão, podemos dizer que os carboidratos são o "combustível" dos nossos corpos. Após a digestão, são absorvidos na forma de açúcares mais simples (glicose).

    A manteiga, a margarina, o azeite, os óleos e as frituras em geral são alimentos gordurosos. As carnes possuem gorduras, porém alguns tipos de carne possuem muito mais gordura que outras. Ovos, sementes e queijo também são alimentos que possuem gordura. As gorduras ou lipídeos são muito importantes para a formação das membranas celulares e são utilizadas como fonte de energia na falta dos carboidratos.

    As gorduras e os carboidratos são compostos pelos mesmos elementos químicos (carbono, hidrogênio e oxigênio). Entretanto, as quantidades de cada elemento, em seus grupamentos atômicos, são diferentes. As gorduras possuem menor quantidade de oxigênio que os carboidratos.

    Nos alimentamos principalmente de carboidratos. Então, nossa energia vem desses alimentos, classificados, juntamente com as gorduras, como alimentos energéticos.

    Trabalho e clima

    A quantidade de alimentação que uma pessoa necessita depende do tipo de vida e da região que habita. Pessoas cujo trabalho "usa" muito o corpo, que fazem muito esforço físico (carpir um terreno, juntar o gado, jogar futebol), precisam de maior quantidade de energia do que aquelas que realizam trabalhos sedentários, como ficar sentado na frente de uma escrivaninha usando o computador ou escrevendo um livro (isso também vale para quem só se diverte jogando videogame...).

    Do mesmo modo, as pessoas que vivem em regiões de clima frio alimentam-se de comidas mais gordurosas do que os indivíduos que vivem em regiões de clima quente, pois seus corpos gastam maior quantidade de energia para manter-se aquecidos.

    Proteínas e aminoácidos

    Outros tipos de alimento possibilitam o crescimento e a manutenção de nossos corpos. Estes alimentos são conhecidos como alimentos plásticos, pois se destinam a formar nossos organismos e a substituir as perdas sofridas por eles. As proteínas que compõe os nossos corpos formam-se no interior de nossas células a partir dos aminoácidos, pequenos grupamentos atômicos obtidos em parte pela alimentação.

    São necessários vinte diferentes aminoácidos para que nossos corpos produzam milhares de proteínas. Os alimentos que contém proteínas fornecem os oito aminoácidos que não somos capazes de produzir (aminoácidos essenciais) e possibilitam aos nossos corpos renovar o sangue, fazer certos materiais que mantém nossos corpos funcionando bem, cicatrizar nossas feridas, etc. Muitos alimentos contêm proteínas: carnes, leite, queijo, ovos, peixe e alguns vegetais, como soja e feijão.

    A proteína pode ser considerada a base para a construção de nossos corpos. Os aminoácidos não são armazenados no organismo, sendo necessário ingerir constantemente alimentos que contenham proteínas. Os grupamentos atômicos das proteínas são formados por carbono, hidrogênio e oxigênio, como os carboidratos e gorduras. Entretanto, as proteínas possuem também o nitrogênio. Por vezes contém também fósforo e enxofre. Mas os resíduos de dieta protéica são ricos em compostos nitrogenados, os quais são tóxicos para o organismo.

    Enfim, podemos observar que todos os alimentos são plásticos e energéticos ao mesmo tempo, embora alguns sejam mais plásticos que energéticos e outros mais energéticos que plásticos.