sábado, 11 de junho de 2011

Educação de mal a pior....

Professores da rede pública estão em greve em pelo menos oito Estados

Pelo menos oito Estados brasileiros enfrentam greve de professores em redes municipais ou estaduais. São eles: São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte, Sergipe, Santa Catarina e Ceará. A porcentagem de escolas paradas varia por Estado e chega a até 70%, no caso da rede estadual de Santa Catarina e no Centro Paula Souza, de ensino técnico, em São Paulo.

A maior parte dos grevistas luta pela adoção de piso salarial estabelecido pelo governo federal, de R$ 1.187,14 por 40 horas trabalhadas, que é o "vencimento básico" da categoria. Ou seja, gratificações e outros extras não entram na conta.

Greve em São Paulo

Segundo o Sinteps (Sindicato de Trabalhadores do Centro Paula Souza), 70% dos professores e funcionários das Fatecs (Faculdades de Tecnologia) e Etecs (Escolas Técnicas) estão em greve desde o dia 13 de maio. No total, são 12.475 mil docentes, 250 mil alunos e 249 instituições. Eles pedem reajuste salarial de 56,90% para os docentes e de 71,79% para os funcionários técnico-administrativos. Na segunda-feira (13), os grevistas vão se reunir em assembleia geral para decidir os próximos passos do movimento.

Greve no Rio de Janeiro

Na terça-feira (7), foi decidida a greve por reajuste emergencial de 26% e o descongelamento do plano de carreira dos funcionários administrativos da rede estadual, entre outras reivindiações. O Sepe (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação) fala em 65% das escolas paralisadas, enquanto a Secretaria de Estado de Educação diz que apenas 2% dos professores estão fora das aulas. No total, são cerca de 1,2 milhão de alunos nas 1.652 escolas fluminenses, com 80 mil funcionários.

Greve em Minas Gerais

Desde a quarta-feira (8), 50% das escolas estaduais mineiras estão paradas, segundo o Sind-UTE (Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais). A secretaria de educação ainda não tem estimativas do alcance do movimento. Os trabalhadores exigem o pagamento do piso salarial nacional e se recusam a aceitar o subsídio oferecido pelo governo desde o início do ano como parte desse valor. No total, a rede mineira tem cerca de 2,4 milhões de alunos em 4,5 mil escolas e 250 mil professores.

Greve em Santa Catarina

Cerca de 70% das 1.350 escolas estão sem aulas no Estado desde 18 de maio. O principal pedido é a implementação do piso salarial nacional de R$ 1.177. O governo do Estado encerrou as negociações com os professores em reunião nesta sexta-feira (10) e requisitou o fim da greve. O Sinte-SC (Sindicato dos Trabalhores em Educação de Santa Catarina) diz que continuará com as reivindicações. No total, a rede conta com cerca de 40 mil professores e 250 mil alunos. Algumas redes municipais, como a de Tubarão, também estão paralisadas.

Greve no MT

Os professores da rede estadual de Mato Grosso estão em greve desde a última segunda-feira (6) por melhores salários. O movimento continua na próxima semana. A Seduc (Secretaria Estadual de Educação do Mato Grosso) estima que 40% das 724 escolas do Estado estejam paralisadas. Esse número, no entanto, é contestado pela secretária-geral do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso, Vânia Miranda. De acordo com ela, cerca de 90 % das escolas estaduais aderiram ao movimento. 
Eles reivindicam piso salarial único de R$ 1.312 para todos os trabalhadores em educação -- o piso nacional do professor, instituído por lei é de R$ 1.187 por 40 horas trabalhadas.  A Seduc afirma que o aumento do piso salarial para todos os servidores é inviável.

Greve em Sergipe

Pelo menos 300 mil alunos da rede estadual de ensino de Sergipe estão sem aulas desde o início da greve de professores no dia 23 de maio. Em assembleia realizada nesta quinta-feira (9), a categoria se recusou a voltar ao trabalho. Os professores reivindicam reajuste salarial de 15,8%. As aulas foram interrompidas em mais de 90% das escolas e cerca de 13 mil professores aderiram ao movimento, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Sergipe (Sintese). O governo não confirma a informação.

Greve no Rio Grande do Norte

No Rio Grande do Norte, a greve de professores da rede estadual completou 43 dias nesta sexta-feira (10). De acordo com a assessoria de comunicação do governo, das 710 escolas estaduais, 335 estão fechadas.  A principal reivindicação dos professores é que seja feita a revisão de plano de carreira e equiparação salarial ao piso dos funcionários públicos estaduais, que é de R$ 2.550 em início de carreira, enquanto o dos professores é de R$ 937.

Greve no Ceará

A prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT-CE), ameaçou suspender o adiantamento de 40% do 13º salário dos professores da rede municipal para os profissionais que mantivessem a greve. A declaração foi dada a uma emissora de TV local sobre a paralisação chega nesta sexta-feira (10) a 45 dias. Ela também prometeu entrar na justiça para pedir a ilegalidade da greve.
De acordo com a secretária geral do sindicato, Ana Cristina Guilherme, cerca de 96% da categoria aderiu à greve. “Não houve avanço. Tivemos a informação que a prefeita tinha enviado um Projeto de Lei para a Câmara (dos vereadores) e adotava o piso de R$ 1.187 para o nível superior”. A defesa do sindicato é que o valor burlaria a Lei nº 11.738, que regulamenta a remuneração mínima e afirma que os trabalhadores em jornadas diferentes das 40h semanais devem ganhar salários "proporcionais" ao piso.

* Com reportagem de Angélica Feitosa (Fortaleza), Carol Guibu (Recife), Thiago Minami (São Paulo) e Valéria Sinésio (João Pessoa) 

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Entenda que....

O que é bullying?

Bullying é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas.
 
O termo bullying tem origem na palavra inglesa bully, que significa valentão, brigão. Mesmo sem uma denominação em português, é entendido como ameaça, tirania, opressão, intimidação, humilhação e maltrato.

"É uma das formas de violência que mais cresce no mundo", afirma Cléo Fante, educadora e autora do livro Fenômeno Bullying: Como Prevenir a Violência nas Escolas e Educar para a Paz (224 págs., Ed. Verus, tel. (19) 4009-6868 ).
 
Segundo a especialista, o bullying pode ocorrer em qualquer contexto social, como escolas, universidades, famílias, vizinhança e locais de trabalho. O que, à primeira vista, pode parecer um simples apelido inofensivo pode afetar emocional e fisicamente o alvo da ofensa.
 
Além de um possível isolamento ou queda do rendimento escolar, crianças e adolescentes que passam por humilhações racistas, difamatórias ou separatistas podesm apresentar doenças psicossomáticas e sofrer de algum tipo de trauma que influencie traços da personalidade.

Em alguns casos extremos, o bullying chega a afetar o estado emocional do jovem de tal maneira que ele opte por soluções trágicas, como o suicídio.

Enem é uma avaliação, não um vestibular, diz presidente do Inep

  • Malvina Tuttman, presidente do Inep, espera 6 milhões de inscritos no Enem 2011
Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) é o assunto da vez no Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).

Pode ter até quatro edições por ano? Sim. Os alunos vão poder pedir revisão da nota da prova? Não. Lápis e borracha serão permitidos? Não, só caneta. Quando o Enem será feito por computador? Ainda não se sabe.

E por que tanto interesse? Porque a prova se tornou instrumento de ingresso nas universidades federais. Apesar de as perguntas serem muitas e o interesse, geral, a presidente do órgão, Malvina Tuttman, faz questão de lembrar que o Enem não é um vestibular: "Ele continua guardando sua qualidade de avaliação do ensino médio", afirma.

"Por sua alta qualificação e precisão [o Enem] também pode ser usado para selecionar [ingressantes ao ensino superior]", defende Malvina que até quatro meses atrás era reitora da Unirio (Universidade Federal do Rio de Janeiro). "Para o Inep, não é [um vestibular]." Desde que assumiu o cargo, ela tem batido na tecla de que o Enem é uma prova de dignóstico e que o Inep é responsável por muitas outras avaliações.

Mas não tem jeito: o Enem é que toma a maior parte do tempo de Malvina na mídia -- não se vê a pesquisadora dando entrevista sobre Prova Brasil (que avalia o ensino fundamental) ou Enade (prova do ensino superior), por exemplo.

Desde que passou a fazer as vezes de vestibular em 2009, o Enem ganhou outro peso. Para se ter uma ideia: em 2011, cerca de 83 mil vagas em instituições públicas foram disputadas diretamente com base na pontuação da prova por meio do Sisu (Sistema de Seleção Unificada).

A Fuvest, que seleciona para a pretigiada USP (Universidade de São Paulo) ofereceu 10.752 vagas para ingresso neste ano. Junto com a nova função -- por coincidência ou não -- também apareceram mais problemas.

Em 2009, a prova foi furtada de dentro da gráfica em que estava sendo impressa. No ano passado, mais um erro gráfico e uma troca no cabeçalho dos gabaritos provocaram tumulto no processo.

Logística

Diante do desafio de tocar esse processo -- que deve ter cerca de 6 milhões de inscritos neste ano --, a professora Malvina, logo que assumiu o cargo, convocou os funcionários do Inep para uma ampla discussão do papel da entidade e para um decisão em conjunto sobre melhorias no processo para este ano.

O resultado foi a criação de um novo setor dentro da instituição: a Unidade de Operação Logística, formada por servidores que organiza o processo do Enem e todas as outras avaliações.

Questionada se essa nova seção não teria sido criada tardiamente -- afinal, os setores que estão sob sua responsabilidade são gráfica, distruibuição e aplicação, justamente os gargalos que trouxeram problemas nas duas últimas edições do Enem, a professora responde: "o Inep já fazia esse acompanhamento e controle, mas neste momento [para 2011]  consideramos que seria fundamental [ter um grupo de profissionais voltados apenas para a logística do processo]".

Com seu vocabulário sofisticado, mas sem perder o didatismo de professora, ela completa: "A temporalidade mostrou que seria importante criar essa unidade".

Além dessa novidade na estrutura interna do Inep, a operação do Enem 2011 também conta com dois apoios externos em sua logística: o Inmetro, que vai certificar cada etapa do processo, e uma empresa que está prestando consultoria de gestão de risco, a Módulo.

O contrato com a Módulo vai custar R$ 5 milhões -- no ano passado, o contrato para distribuição das provas com os Correios ficou em R$ 18 milhões.

Vestibular versus avaliação

Com todo esse imbróglio de logística, esse caráter avaliativo não fica para trás? A professora Malvina diz que não. E cita alguns exemplos de como alguns dados trazidos pelo exame podem ajudar na tecitura de políticas públicas para o ensino médio.

O Enem recebeu mais de 430 mil inscrições de interessados com mais de 30 anos até 11 horas da quinta-feira (2). "Trabalhar com esses dados nos indicam quantos estão fora do sistema e, então, teremos que investigar: por quê? que políticas podem ser feitas [para reverter esse quadro]?", explica a presidente do Inep.

Segundo Malvina, esses dados e outros, como análise de erros e acertos das provas, também podem dar pistas sobre falhas e boas práticas de aprendizagem. "São coisas dessa natureza que cabe ao Inep fazer", afirma.

Fonte: Karina Yamamoto - Ed. UOL Educação em 04/06/2011.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Palestra sobre a Prevenção de Ruídos e Poluição Sonora em crianças e adolescentes.

Características do Ruído com Impacto na Saúde

Principio da Energia Equivalente − Intensidade e Duração
A forma afectiva como percepcionamos o som - com prazer ou sem ele - não está claramente associado a menor ou maior capacidade lesiva pelo que, na definição de ruído, entra-se principalmente com as variáveis intensidade e duração.
Ou seja, um som, mesmo que desagradável, se for pouco intenso e/ou pouco duradouro, não afectará a saúde. Em contrapartida, o hábito de ouvir a 8ª Sinfonia de Beethoven, a 120dB (grande intensidade) durante mais tempo que o devido, poderá provocar lesões auditivas irreversíveis. Para ter ideia da intensidade de alguns sons que nos rodeiam consulte a figura.
sons diferentes com energia equivalente
Intensidade
Duração
85 dB
8h
88 dB
4h
91 dB
2h
94 dB
1h
97 dB
30mn
100 dB
15mn
Sendo a capacidade nociva de um som função da intensidade e duração, é possível de forma matemática fazer equivaler a energia nociva de vários sons diferentes. A equivalência faz-se de forma simples pelo princípio do factor de duplicação dos 3 dB, por ex.: um som A embora tenha mais 3 dB que o som B, tem uma energia equivalente porque tem metade da duração. No quadro ao lado estão expostos vários sons com energia equivalente.
Segundo os documentos normativos em vigor, é obrigatório fazer pelo menos uma medição do ruído do local de trabalho quando é previsível este superar os 80dB(A).
O simbolo "(A)" nas referências à intensidade de um som equivalente significa que na medição deste som se dá mais ênfase às altas frequências, mais nocivas que as baixas frequências.
Recomenda-se que um trabalhador não deverá estar exposto a ruído contínuo equivalente superior a 85dB(A) durante 8h/dia de trabalho e é proibido estar sujeito a mais de 90 dB(A). A partir dos 85 dB(A) é também obrigatório fazer controlos do ruído anuais, um controlo audiométrico de 3 em 3 anos, munir os trabalhadores de meios de protecção individual (auscultadores ou tampões) e fazer formação aos mesmos trabalhadores.
A partir dos 90 dB(A) tanto os controlos do ruído como os controlos audiométricos passam a ser anuais e é obrigatório utilizar os meios de protecção individual e ter os locais devidamente sinalizados e com acesso limitado.
Por outro lado, para protecção da comunidade, não é permitido no exterior das empresas a existência em 95% do tempo de um diferencial superior a 10dB(A) , entre o nível do ruído perturbador provocado pela empresa (por ex., uma discoteca) e o nível do ruído de fundo, ou seja, o ruído existente no local e que não é imputável à empresa em causa.
Frequência e Padrão Intermitente do Som
As altas frequências dos sons agudos são mais nocivos que as baixas frequências dos graves. Aliás, o símbolo "(A)" nas referências à intensidade de um som equivalente - ex.:85dB(A) - significa que na medição deste som se dá mais ênfase às altas frequências, mais nocivas que as baixas frequências.
Por outro lado, o facto de a surdez na sua fase inicial aparecer em relação com os sons de maior frequência (à volta dos 4000Hz) julga-se estar relacionado com a maior capacidade lesiva dos "agudos".
Também a intermitência ou padrão impulsivo de um som é mais nocivo que um som contínuo de energia equivalente. Daí que o martelar ou o estampido de um tiro pode ter capacidade mais lesiva que o que seria de esperar pelo cálculo da sua energia equivalente. Assim, a nossa NP-1733 recomenda adicionar 10dB(A) a todos os níveis sonoros medidos nestas circunstâncias, embora os sonómetros integradores ou os dosímetros mais modernos façam já as medições e os cálculos da energia equivalente com os devidos ajustamentos.
É proibido expor os trabalhadores a ruídos impulsivos superiores a 140dB.

Efeitos Sobre a Saúde
O efeito mais conhecido é a surdez.
Quando a agressão não é demasiado intensa, a surdez corresponde apenas a perturbação funcional e é reversível. Por ex. a audição de um som de 90 dB durante 7 dias provoca surdez reversível durante cerca de uma semana e a audição de um som de 100 dB durante uma hora e meia provoca surdez reversível que leva cerca de oito horas a recuperar. Já a audição dos mesmos 100 dB durante 7 dias provoca uma pequena surdez permanente (pouco mais de 10 dB do zero audiométrico) correspondente a lesão orgânica das células ciliadas da cóclea.
O risco de surdez permanente obviamente varia de acordo com a intensidade e a duração da exposição que, segundo a Norma Portuguesa nº 1733 se distribui da seguinte forma:
Risco de Surdez Devido ao Ruído,  Por Anos de exposição(percentagem de indivíduos que adquirem surdez ≥ 25 dB)
Nível
Anos de Exposição
dB(A)
0
5
10
15
20
25
30
35
40
45
<80
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
85
0
1
3
5
6
7
8
9
10
7
90
0
4
10
14
16
16
18
20
21
15
95
0
7
17
24
28
29
31
32
29
23
100
0
12
29
37
42
43
44
44
41
33
105
0
18
42
53
58
60
62
61
54
41
110
0
26
55
71
78
78
77
72
62
45
115
0
36
71
83
87
84
81
75
64
47
Fonte: NP-1733    Nota: o facto de após muitos anos de exposição, o risco aparentemente diminuir, tem a ver com o ajustamento feito para a idade.
Os seres humanos, quando jovens ouvem sons num intervalo entre os 18 e os 20.000 Hz, embora as frequências mais importantes no relacionamento social sejam as relacionadas com a conversação, entre os 500 e os 2000 Hz, daí que a surdez mais incapacitante seja a que envolve estas últimas frequências.
Felizmente que a surdez devida ao ruído industrial inicia-se geralmente numa frequência ainda pouco incapacitante - 4000Hz - dando oportunidade, caso sejam feitas audiometrias periódicas, detectar os que vão desenvolver a surdez e tomar as devidas providências ainda numa fase não incapacitante.
Como se poderá verificar pela consulta do quadro em cima, nem todos ensurdecem quando sujeitos à mesma dose de ruído. A susceptibilidade ao ruído é efectivamente muito diferente de pessoa a pessoa. Actualmente, ainda não existe forma de diferenciar preditivamente os que são dos que não são susceptíveis. Isto, aliado ao facto de a hipoacúsia ter início nas frequências dos 4000 Hz e não ser percebida pelo próprio (atendendo estas frequências não serem utilizadas na conversação), faz com que as audiometrias periódicas sejam extremamente importantes para detectar ainda em fase inicial os mais susceptíveis ao ruído.
Como já foi referido, quando a surdez se alarga aos 3000, 2000, e sobretudo aos 1000 e 500Hz, torna-se impeditiva da normal comunicação oral. É por isso que a avaliação da incapacidade de uma hipoacúsia leva em consideração a surdez média aos 500, 1000, 2000 e 4000Hz com ponderação superior para os 1000Hz. Quando a surdez é classificada como de causa profissional é passível de várias formas de compensação, incluindo a compensação monetária a partir dos 35 dB.
A acompanhar a surdez existem geralmente zumbidos, atendendo a lesão ser neuro-sensitiva.
Existem ainda os conhecidos efeitos psicológicos, alguns inerentes à própria incomodidade do ruído (depressão, ansiedade, agitação e irritabilidade), outros como consequência da impossibilidade de comunicação social (incapacidade de aprendizagem da linguagem por parte da criança) e outros ainda por mecanismos mal conhecidos (por ex.: o ruído diurno altera a qualidade do sono nocturno). Estes efeitos são mais graves em pessoas já com debilidades psicológicas.
Finalmente, é conhecido o efeito hipertensor e taquicardizante do ruído devido à maior sensibilização às catecolaminas existentes. As consequências da hipertensão - hipertrofia e enfarte do miocárdio, acidente vascular cerebral, etc. - diminuem obviamente a esperança de vida.
Prevenção dos Efeitos Nocivos do Ruído em Saúde Ocupacional
O objectivo é diminuir a exposição para menos de 90 ou preferivelmente 85 dB/8h/dia útil. Geralmente a prevenção é feita tomando mais que uma medida:
Investimento em maquinaria moderna e o abandono da antiga;
Pequenas medidas de reparação e manutenção fazem por vezes milagres em máquinas ruidosas;
Instalação de barreiras de som ou de materiais absorventes de som (reduzem a ressonância);
Rotatividade dos trabalhadores nos locais mais ruidosos, para diminuir a dose de ruído equivalente por cada trabalhador;
Utilização de protectores auriculares (auscultadores ou tampões);
Avaliação periódica da dose de exposição e audiometrias.

António Paula Brito de Pina © Portal de Saúde Pública, 2000